Netsaber » Biografias

Francisco de Castro

(médico, professor, orador e poeta)
1857-1901


Francisco de Castro, médico, professor, orador e poeta, nasceu em Salvador, BA, em 17 de setembro de 1857, e faleceu em 11 de outubro de 1901, no Rio de Janeiro, RJ. Eleito em 10 de agosto de 1899 para a Cadeira n. 13, na sucessão do Visconde de Taunay, não chegou a tomar posse. Deveria ser saudado pelo acadêmico Rui Barbosa. Era pai do também acadêmico Aluísio de Castro.
Filho do negociante Joaquim de Castro Guimarães e de Maria Heloísa de Matos, ficou órfão de mãe desde cedo. O pai desdobrou-se em desvelos, preocupado com a sua educação, e encaminhou-o para o Ateneu Baiano. Em 1873 o pai levou-o à França e, em Paris, Francisco aperfeiçoou alguns estudos, familiarizando-se com a língua de Baudelaire, a ponto de escrever versos em francês, incluídos no volume das Harmonias errantes. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia. Durante o curso acadêmico, deixou-se atrair pelo convívio literário, tendo, entre seus companheiros, Guilherme de Castro, irmão de Castro Alves. A admiração pelo poeta dos "Escravos" exerceu decisiva influência na sua poesia, emprestando-lhe a sua feição condoreira.
Desde os bancos acadêmicos, granjeou invejável fama de talentoso e estudioso. Veio para o Rio, onde sua fama cedo se consolidou, como homem de letras e como homem de ciência. Ocupou o cargo de diretor do Instituto Sanitário Federal, em 1893, e foi médico do Exército durante nove anos. Adversário da desoficialização do ensino técnico superior, proferiu memorável discurso na colação de grau dos doutorados de 1898, aplaudido por Rui Barbosa na Imprensa. Foi professor da cadeira de Clínica Propedêutica e, em 1901, diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Paralelamente ia exercendo também a sua atividade de escritor, em livros de assuntos médicos e proferindo discursos que, publicados depois de sua morte, mereceram um belíssimo prefácio de Rui Barbosa. Foi uma autêntica vocação literária, um escritor de linguagem cuidada, que se impôs à sua geração como um modelo. Poeta, ainda inspirado no Romantismo, publicou versos também sob o pseudônimo Luciano de Mendazza. Reuniu-os num volume, ao qual deu o título de Harmonias errantes, livro que mereceu uma introdução de seu amigo Machado de Assis.
Francisco de Castro deixou uma tradição de bondade extrema, e seu grande exemplo foi lembrado por gerações sucessivas de médicos. Muitos o chamavam "o divino Mestre", conservando o culto de sua figura, que ficou sendo uma espécie de patrono deles todos. Aluísio de Castro deixou sobre ele uma página admirável, "Meu pai", onde registrou: "... a admiração que eu lhe votava era tão funda e tal união nos vinculava em tudo, que esses poucos anos do seu trato, sentindo-lhe a suavidade para mim como que divina, me valeram por uma vida inteira de ensinamentos e ele me ficou como o farol de sempre."
Obras: Harmonias errantes, poesia, introdução de Machado de Assis (1878); Polêmica pessoal (1894); Discurso pronunciado na colação de grau dos doutorandos em medicina (1899); Discursos (1902); colaboração na Estante clássica da Revista de Língua Portuguesa, vol. 4 (1921) e na Revista Brasileira (1879-1881). Obras de medicina: Da correlação das funções, tese de doutoramento; O invento Abel Parente do ponto da Medicina Legal e da moral pública; Tratado de Clínica Propedêutica, 2 vols.

Biografias Relacionadas


- Fernando Magalhães

Fernando Magalhães (F. Augusto Ribeiro M.), médico, professor e orador, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 18 de fevereiro de 1878, e faleceu na mesma cidade em 10 de janeiro de 1944. Eleito em 22 de julho de 1926 para a Cadeira n. 33, na sucessão de Domício...

- Abílio César Borges, Barão De Macaúbas

Pedagogo e médico brasileiro nascido no município baiano de Rio de Contas, antigo Minas do Rio de Contas, um dos precursores do livro didático brasileiro. Formou-se em medicina no Rio de Janeiro, RJ, onde se doutorou (1847). De volta à Bahia, como diretor...

- Miguel De Oliveira Couto

Médico sanitarista brasileiro nascido na cidade do Rio de Janeiro cidade onde também morreu, que dedicou parte de sua vida profissional à melhoria das condições de saúde popular, pela pesquisa e divulgação dos princípios de higiene. Era filho de Francisco...

- Antônio Austregésilo

Antônio Austregésilo (A. A. Rodrigues Lima), médico, professor e ensaísta, nasceu em Recife, PE, em 21 de abril de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 23 de dezembro de 1960. Eleito em 29 de agosto de 1914 para a Cadeira n. 30, na sucessão de Heráclito...

- Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na fazenda Cabaceiras, antiga freguesia de Muritiba, perto da vila de Curralinho, hoje cidade Castro Alves, no Estado da Bahia, a 14 de março de 1847 e morreu na cidade de Salvador, no dia 6 de julho de 1871. O...