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Félix Pacheco

(Jornalista, político, poeta e tradutor)
1879-1935


Félix Pacheco (José F. Alves P.), jornalista, político, poeta e tradutor, nasceu em Teresina, PI, em 2 de agosto de 1879, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de dezembro de 1935. Eleito em 11 de maio de 1912 para a Cadeira n. 16, na sucessão de Araripe Júnior, foi recebido em 14 de agosto de 1913, pelo acadêmico Sousa Bandeira.
Era filho do magistrado Gabriel Luiz Ferreira e de Maria Benedita Candida da Conceição Pacheco. Fez os estudos primários no Colégio Karnec na cidade natal. Em 1890 trouxe-o para o Rio seu tio e protetor, o senador Teodoro Alves Pacheco, cujo nome adotou em reconhecimento pelo tratamento paternal que sempre lhe dispensou. Aos 12 anos matriculou-se no Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde fez humanidades, e depois cursou a Faculdade de Direito. Em 1897, ingressou no jornalismo, como repórter de O Debate. Dois anos depois, pela extinção daquele periódico, passou para o Jornal do Commercio, do qual se tornou diretor-proprietário até vir a falecer, 36 anos depois. Em 1908, casou-se com sra. Dora Rodrigues, a exemplar companheira de uma vida de lutas e de trabalho. Tiveram duas filhas: Ignez (Ignezita) e Martha.
Foi o fundador e primeiro diretor do Gabinete de Identificação e Estatística da Polícia do Distrito Federal, hoje Instituto Félix Pacheco. Foi o introdutor, no Brasil, do sistema datiloscópico. Representou por muitos anos o Estado do Piauí, primeiro na Câmara e depois no Senado da República. No governo de Artur Bernardes, foi ministro das Relações Exteriores.
Ainda que o jornalismo tenha sido a escola em que se disciplinou na experiência e que o projetou no cenário nacional, Félix Pacheco distinguiu-se também nas letras, criando, como poeta, um nome que o liga à segunda geração dos poetas simbolistas brasileiros. Com Saturnino de Meireles, Gonçalo Jácome, Maurício Jubim e Castro Meneses, muito trabalhou pelo movimento, colaborando ativamente na revista Rosa-Cruz, de Saturnino de Meireles.
Os primeiros versos que publicou saíram com o título de Chicotadas e o subtítulo de "poesias revolucionárias". Proclamava neles guerra à Espanha e convidava os povos latinos a baterem-se contra os Estados Unidos. Ao enumerar, porém, mais tarde, a sua produção poética, Félix Pacheco nunca mais fez referência a essas composições da mocidade. Por isso pode-se considerar Via Crucis, de 1900, a sua verdadeira estréia poética.
Traduziu a obra de Baudelaire, comentou e estudou a sua obra, do ponto de vista biobibliográfico, crítico e literário. Essa atividade literária foi coroada com o discurso que o tradutor pronunciou em 24 de novembro de 1932, intitulado "Baudelaire e os milagres do poder da imaginação", publicado no ano seguinte, quando também publicou os volumes O mar através de Baudelaire e Valéry, Paul Valéry e o monumento a Baudelaire em Paris e Baudelaire e os gatos.
Obras: Chicotadas, poesias revolucionárias (1897); Via Crucis (1900); Mors-Amor (1904); Luar de amor (1906); Poesias (1914); Ignezita (1915); Martha (1917); Tu, só tu (1917); No limiar do outono (1918); O pendão da taba verde (1919); Lírios brancos (1919); Estos e pausas (1920); Poesias (1932, edição definitiva, em duas partes intituladas Variações sobre a beleza e Armonial do sonho; Ignezita e Martha); A aliança de prata (1933); Descendo a montanha (1935).
Como publicista, Félix Pacheco deixou também uma produção importante, onde, além de conferências e discursos, se contam os seguintes volumes: O périplo de Hannon, monografia sobre José Bonifácio (1900); Dois egressos de farda, estudo crítico sobre Euclides da Cunha e Alberto Rangel (1909); Em louvor de Paulo Barreto (1921); A "Canaã" de Graça Aranha (1931); Robres e Cogumelos, sobre José do Patrocínio e os pigmeus da imprensa (1932); Duas charadas bibliográficas (1932); A Academia e os seus problemas (1935).

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