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ARMANDO NOGUEIRA
(Colunista esportivo)
1929-

Armando Nogueira nasceu no Acre, na cidade de Xapuri, em 14 de janeiro de 1929. Rodovaldo e Maria Soares, ambos cearenses, tangidos pela seca, foram para o norte. Casaram-se e tiveram dois filhos. Armando, o mais novo, teve uma infância feliz. “Camisa, peito aberto, nadando no rio, .... ai, que saudade que eu tenho da aurora da minha vida”, diz Armando. Ele começou as primeiras letras em Xapuri, mas logo foi para Rio Branco, continuar os estudos. Fez o ginásio, fez o comercial, mas logo foi para o Rio de Janeiro. Era o ano de 1944. E foi sozinho. Quase não trouxe dinheiro, só um pequeno respaldo, na forma de pequena mesada que o pai, com sacrifício, lhe dava. Começou então a procurar trabalho. Foi ser ensacador de pacotes. Lembrou-se, porém, que era bom em português, e logo foi ser revisor do Diário Oficial do Governo do Acre. E já pensou em ser jornalista. A seguir, através de uma namorada “pouco fiel”, a quem ele namorava, mas que era também garota de um secretário de jornal, foi apresentado a este e dessa “parceria involuntária”, veio seu emprego em jornal, na sessão de esportes. Ficou nesse jornal treze anos. Para sua sorte, lá trabalhavam grandes jornalistas, como: Prudente de Moraes Neto, Carlos Castelo Branco, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Pompeu de Souza. A “nata” do jornalismo brasileiro. Aí, Armando Nogueira já era estudante de Direito, donde saiu bacharel. Mas sua vocação jornalística era muito maior. Teve vários momentos importantes, já no começo da carreira. Em 1954 foi testemunha do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, no famoso episódio que ficou conhecido como: “Caso da Rua Toneleiros”. E aí Armando Nogueira pode escrever na primeira pessoa, narrando o episódio. Foi a primeira vez que isso acontecia no jornalismo brasileiro. E foi admirado por todos os seus colegas e amigos, “uma ilustre fauna”, como ele diz, entre os quais: Ruben Braga, Carlos Drumond de Andrade, Manoel Bandeira, Ciro dos Anjos, Dalton Trevisan, e outros. Paralelamente ao Diário Carioca, onde trabalhava, passou a escrever também para o Diário da Noite. Em seguida foi para a revista “O Cruzeiro”, onde esteve com Assis Chateaubriand, Juracy Magalhães, Juscelino Kubitschek e muitos outros. Foi quando a televisão apareceu em sua vida. Foi trabalhar na primeira produtora independente, que era de Fernando Barbosa Lima e fizeram o “Square”. Armando era produtor e redator. Escrevia textos para Cid Moreira, para Luiz Mendes, para Heron Domingos. Nessa época estava no Jornal do Brasil. A dupla: Armando e Heron deu certo, pois Armando escrevia textos modernos, frases curtas e Heron as decorava, não lia. Quase um precursor do “teleprompter”. A seguir, a chamado de Walter Clark, foi para a TV Globo. E ali ficou por vinte e cinco anos. Foi ele quem implantou o telejornalismo, ao lado de Alice Maia, grande jornalista. A partir daí o jornalismo pela televisão subiu no interesse dos profissionais e do público. Modernizou-se, profissionalizou-se. A equipe que ali trabalhava, liderada por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, sedimentou de vez a importância da comunicação. E passou por momentos difíceis. Veio a Revolução de 64, veio a ditadura. O “Jornal Nacional” nasceu. E foi formada a Rede Nacional de Jornalismo. Apesar de toda a sorte de impedimentos, o “Jornal Nacional” passou a líder de audiência. Nasceu também o “Globo Reporter”, outro grande programa jornalístico. Armando, porém, sempre apaixonado por esportes, foi a todas as Copas do Mundo. Parecia que tinha uma “premonição”, segundo diz ele, pois em 1990 saiu da Globo e foi dedicar-se inteiramente ao esporte. É hoje um “multimidia”. Tem uma coluna que sai em sessenta e dois jornais, tem um programa de televisão, que se chama “Esporte na TV”, tem um programa de rádio e uma home page na Internet. E, como hobbie, é o fundador e frequentador do Clube Esportivo de Ultra-leve. Tem até condecorações da Aeronáutica. Adora voar. Esse é Armando Nogueira, que é chamado “O poeta do esporte”. E é uma das cabeças mais privilegiadas. Um ser ímpar. Um nortista extremamente inteligente. Mas quando alguém diz que ele é um vencedor, rebate com humildade: “Não, sou apenas um lutador”.




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