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RAUL DUARTE
(Apresentador de Tv)
1912-2002

Raul Gama Duarte, conhecido como Raul Duarte, filho de Francisco e Olga, nasceu na capital paulista em 30 de maio de 1912. Família numerosa, o casal Francisco e Olga tinham seis filhos. A mãe teve que ajudar o pai, porque “a luta ficou brava, com a crise de 30”, diz Raul e a mãe montou uma escola. Apesar de toda sua “vagabundagem”, segundo ele próprio, entrou para o ginásio do Estado, e foi até a faculdade. Mas o que ele gostava mesmo era de brincar com rádio de Galena, pois ganhou um de um amigo e apaixonou-se. Em seguida Raul já foi para uma emissora de rádio, a Educadora Paulista. E o fez por ter visto um edital nas paredes da Faculdade de Direito, chamando locutores. E foi escolhido. Primeiro entrou o Nicolau Tuma e depois o Raul. Apresentava cantores e cantoras e fazia os “reclames”. Em seguida foi para a TV Record, de onde nunca mais saiu. Foi crescendo com a emissora, e se profissionalizando, pois no começo era tudo amadorístico, e ninguém pensava em ganhar dinheiro. E assim Raul teve a oportunidade de privar com as “estrelas” da época: Francisco Alves, Silvio Caldas, Castro Barbosa, Carmen Miranda, Carlos Galhardo, Luiz Gonzaga. Logo passou a diretor da emissora, pois era inteligente e criativo, o jovem Raul Duarte. Era rebelde, mas era alegre e querido. Paulo Machado de Carvalho, o proprietário, tinha confiança nele e o colocou como diretor comercial. Raul era também um bom vendedor. Sem deixar o microfone, pois sua voz sempre foi boa e sua dicção perfeita, criou os programas: “Balangandãs”, “Ovo de Colombo”, “Resenha da semana”, “Falando de São Paulo”, e “Ouvindo o Brasil”. Já se via que sua tendência era para o jornalismo e a crítica, e que também tinha sentido de “abrangência”, queria fazer rede nacional. Todos se espantaram, mas ele começou a fazer o seu Painel. Já havia a Rede Verde e Amarela, da Cruzeiro do Sul, mas Raul conseguiu organizar a sua. Foi chargista, via as coisas com olhos críticos. Criou, com Otavio Gabus Mendes, o “Charuto e Fumaça”. Certa vez imitou Orson Welles e pregou um 1º de abril, pelo rádio, apresentando um vidente “de mentira”. Quando a TV Record foi inaugurada, Raul Duarte gostou da coisa. Ele estava dirigindo na imprensa escrita o jornal “O Tablóide”. E logo passou a escrever para a televisão. “Dois dedos de máquina”, onde ele glosava os acontecimentos do dia. A seguir fez: “Será que eles ligam? “ e “Falando sozinho”, todos em torno da crítica. Foi quando foi formada a célebre “Equipe A”, da qual Raul fazia parte. E ela ficou sendo responsável pelos principais programas da TV Record. Ao seu lado, os principais elementos da televisão, como: Manoel Carlos, Nilton Travesso, e Tuta, o filho mais novo de Paulo Machado de Carvalho. Foi essa “Equipe A” a responsável por programas como: “Esta noite se improvisa”, “Hebe”, “Alianças para o sucesso”, programas cuja fórmula existe até hoje. Ainda o “Guerra é guerra”, “Família Trapo”e o famoso “Show do dia 7” . A Record, que é o 7 no dial de São Paulo, a todo mês fazia um grande show, verdadeiro acontecimento nacional. Mas aí aconteceram vários incêndios em todos os prédios, onde a Record funcionava e esta começou a degringolar. Profundo sofrimento, principalmente aos que sempre tiveram seus nomes ligados àquela televisão. Hoje, já com 87 anos, nesta data, Raul está casado com Iara, tem filhos e é tranquilo. Mas quem com ele conversa observa seu olhar vivo, sua eterna sagacidade, sua inteligência. Teimoso, gosta de brincar e rir, e perguntado sobre sua filosofia de vida, responde rindo: “Vou repetir uma trova de que gosto. É assim: “Da vida pude colher ensinamentos pequenos; não aprendi a viver, morrer então, muito menos”. Esse é o genial Raul Duarte. Raul Duarte faleceu em 21 de fevereiro de 2002.



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