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Osvaldo Gonçalves Cruz
(Médico sanitarista brasileiro )
1872 - 1917

Médico sanitarista brasileiro nascido em São Luís do Paraitinga, São Paulo, fundador da medicina experimental brasileira e que obteve reconhecimento mundial como sanitarista pelo fato de ter conseguido erradicar as febres amarela e bubônica e a varíola na então capital federal, Rio de Janeiro, durante o governo de Rodrigues Alves, e lutando contra as pressões do General Silvestre Travassos e do então senador Rui Barbosa. Com apenas 14 anos de idade ingressou na em medicina pela Universidade do Rio de Janeiro onde se doutorou (1892), defendendo a tese Da veiculação microbiana pelas águas, passando a clinicar no Rio de Janeiro. Foi para Paris (1896) onde aperfeiçoou-se em microbiologia no Instituto Pasteur. Na Europa trabalhou no Serviço de Vias Urinárias do professor Félix Guyon, no Laboratório de Toxicologia e no Instituto Pasteur, dirigido então por Émile Roux e desenvolveu um estágio na Alemanha. Voltou ao Rio (1899), em outubro do mesmo ano esteve em Santos SP, para estudar a epidemia de peste bubônica que surgiu naquela cidade e sobre a qual escreveu um relatório detalhado. Participou da fundação do Instituto Soroterápico de Manguinhos (1900), destinado sobretudo à pesquisa e desenvolvimento de vacinas. Indicado para chefiar a parte técnica a instituição firmou-se como centro técnico e experimental de grande renome que depois (1908) passou a se chamar Instituto Osvaldo Cruz. Assumiu a direção geral (1903) de Saúde Pública do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, com a difícil missão já citada. Iniciou rigoroso programa de combate à moléstia, com o isolamento dos doentes, vacinação obrigatória e campanhas para eliminar os focos de mosquito. A campanha sofreu cerrada oposição de parte dos positivistas, de políticos e de vários jornais cariocas, principalmente do Correio da Manhã. Todos os dias os jornais publicavam editoriais que atacavam e ridicularizavam em caricaturas a figura do sanitarista com sua brigada de "mata-mosquitos". Em 14 de novembro (1904), finalmente eclodiu uma rebelião da Escola Militar com repercussão popular. O movimento, denominado "quebra-lampião", quase depôs o governo de Rodrigues Alves. A revolta foi subjugada pelo comandante da guarnição federal, general Hermes da Fonseca, futuro presidente da república. O notável sanitarista não cedeu em nenhum momento e, graças às medidas que tomou, registraram-se apenas 39 casos de febre amarela no Rio de Janeiro (1906), quatro casos (1907) e nenhum caso (1908). As medidas profiláticas acabaram também com as epidemias de peste bubônica e varíola. Paralelamente executou uma profunda reforma no código sanitário e ao mesmo tempo remodelou todos os órgãos de saúde, com grandes benefícios para a higiene e a economia do país, pois na época das epidemias os navios evitavam aportar no Rio de Janeiro. Sofrendo de hiperazotemia, excesso de uréia no sangue, enfermidade que o levaria a morte, deixou a direção da Saúde Pública em 19 de agosto (1909), mas participou ainda de várias outras campanhas sanitárias por todo o Brasil, como no ano seguinte quando aceitou convite da empresa que construía a estrada de ferro Madeira-Mamoré na região amazônica e fez um estudo do saneamento da região, onde passou um mês. Graças à adoção de seu esquema, a construção da ferrovia pôde prosseguir até a inauguração, em 1o de agosto (1912). O resultado dessa viagem está contido no trabalho Madeira-Mamoré Railway Company. Também elaborou um plano de saneamento do vale do Amazonas, dando execução a um compromisso que assumira com o Ministério da Agricultura e saneou a cidade de Belém, de acordo com contrato firmado com o governo do Pará. Posteriormente representou o Brasil em congressos sanitários realizados em Dresden, Alemanha, na Cidade do México e em Montevidéu. Ganhou o primeiro prêmio do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia (1907), reunido em Berlim, concorrendo com outros 123 expositores, com a exposição de seu trabalho no Rio. Sua bibliografia científica abrange 43 trabalhos de teses, observações, pesquisas médicas e relatórios científicos, além de memórias e do discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito (1912), passando a ocupar a cadeira deixada vaga pelo poeta Raimundo Correia. Mais uma vitória pessoal, pois na disputa enfrentou a candidatura do poeta Emílio de Meneses, provocando grande polêmica naquela casa. Alguns achavam que, devido a sua denominação, a academia somente devia abrigar literatos. Venceu a tese de que vultos consagrados, de qualquer arte ou ciência, podiam ter um lugar na instituição. Já muito doente, foi nomeado prefeito de Petrópolis, RJ (1916). Assumiu o cargo em 18 de agosto, mas renunciou em janeiro do ano seguinte e morreu naquela cidade em 11 de fevereiro (1917).



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