Maurice "Morris" de Bevère
(Quadrinista belga )
1923 - 2001
Quadrinista belga nascido em Courtrai, Bélgica, consagrado pela criação, sob o pseudônimo inglês Morris, do picaresco caubói Lucky Luke, um dos mais famosos heróis dos gibis europeus. Descobriu o mundo colorido dos cartuns no final da Segunda Guerra quando ingressou (1943) em um pequeno estúdio de animação, o CBA, em seu país, trabalhando ao lado de futuros mestres da HQs como Peyo (criador dos Smurfs) e Franquin (Le marsupilami). Colaborando com a publicação Le Moustique, com a falência da CBA passou a criar personagens para jornais e para a Spirou - então um espaço de experimentação para jovens artistas. Seu primeiro projeto foi Arizona 1880 (1947), onde debochava do o gênero mais popular do cinema à época: o western que, aliás, sempre o seduziu. Como a brincadeira agradou, decidiu se aprimorar no filão e deu início a carreira de Lucky Luke e sua loquaz égua Jolly Jumper, cuja primeira aventura havia sido publicada no almanaque de las navidades (1946). O herói não demorou a emplacar nos EUA, utilizando como coadjuvantes bandidos notórios como Billy the Kid e Calamity Jane. Seus duelos famosos foram adaptados para a TV, numa série de desenhos animados dos anos 80, e para o cinema (1991), sob a pele do ator italiano Mario Girotti, o Terence Hill. Mudou-se para Nova Iorque (1949), onde seria influenciado por quadrinistas estadunidenses como Segar, o criador de Popeye, e Baker, de Sad Sack. Também em N.Y. conheceu e se tornou amigo do francês René Goscinny (1926-1977), um dos pais do gaulês Asterix e do visir Iznogud. Decepcionado e sem o apoio esperado nos EUA, voltou à Europa (1955), e deixou com Goscinny a tarefas de se tornar o roteirista oficial da série Lucky Luke, inclusive na produção de desenhos animados (1971). Com a morte do colega (1977) não interrompeu a a série Lucky Luke, contratando quadrinistas consagrados como Groot e Janvier para desenvolver novas aventuras do personagem, que já chegou a estrelar mais de 50 álbuns, aparecendo em mais de 2,5 mil páginas desenhadas, em mais de 300 milhões de livros vendidos, traduzidos em cerca de 30 idiomas. Responsável por introduzir o charme do Velho Continente no universo rude e violento do faroeste americano, o artista arrancou gargalhadas de várias gerações de leitores, desde que criou o personagem (1947) para a revista Spirou, fazendo galhofa com os valores de coragem e hombridade dos pistoleiros do Oeste. Morreu aos 77 anos, em Bruxelas, vítima de uma embolia pulmonar.
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