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Constantino, o Africano
(Mestre da Escola de medicina de Salerno )
~ 1022 - 1087

Mestre da Escola de medicina de Salerno nascido em Cartago, conhecido como Mestre do Oriente e do Ocidente, como lhe chamavam os bizantinos, autor da considerada a maior obra da Escola Salernitana. Quando jovem foi comerciante e viajou pelo Egito, Síria, Índia e Bagdá, adquirindo amplo conhecimento de línguas orientais e de literatura árabe. Com Ibn Masvia Al-Marandi, Musué o Moço, e Ibn Sarabi, Serapião o Jovem, adquiriu conhecimentos de medicina, abandonou o comércio e passou a viver como médico, praticando uma medicina diferente da conhecida e praticada no Ocidente, não só pelos métodos de observação, como pelos medicamentos. Acusado de praticante de magia pelos invejosos colegas profissionais, fugiu de Cartago e aceitou a posição de secretário do Imperador Constantino Monomachus, em Reggio, uma pequena cidade próxima à Bizâncio. Depois, com a conquista normanda, partiu para Salerno (1046) e converteu-se ao cristianismo (1047). Tornou-se amigo e secretário de Roberto Guiscardo e do médico Alfano, futuro Arcebispo de Salerno (1058). Traduziu, sob o nome de Liber Pantegni ou Arte Total o livro de Ali ibn-al-Abbas, Khitaab el Maleki ou Livro Real, uma publicação em 10 volumes de teoria e 10 de prática médicas, mas sem identificar o autor original, provavelmente com receio de ser mal compreendido, em virtude da então intensa briga entre cristãos e árabes, principalmente por ele estar se preparando para ser um monge beneditino e a obra ser de origem muçulmana. Era uma enciclopédia com capítulos sobre farmacopéia e cirurgia, e impressionantemente prática, abrindo novas perspectivas para a medicina ocidental. Nela descrevia-se a utilização dos instrumentos, à importância da cauterização, à descrição precisa do desenrolar das intervenções cirúrgicas etc. A importância dessa tradução foi tal que foi texto em famosas escolas como de Montpellier e de Bolonha. Traduziu um total de 22 obras, entre elas um tratado de oftalmologia de Honnein, o Viaticum Constantini, e um de Abu Ja’far Ibn Ibrahim ibn abi Kalid al Jazzar, De Coitu. Também traduziu Aforismos, Prognósticos e Febres, de Hipócrates, e várias obras de Galeno. Escreveu De stomachi affectionibus que dedicou a Alfano e estruturou a Escola de Salerno tomando como base as escolas islâmicas do Oriente e as espanholas, onde as aulas eram, ora na biblioteca, ora no hospital, e os alunos orientados por professores. Após anos de atividade tornou-se monge beneditino no Monastério do Monte Cassino (1067), onde foi bem recebido pelo Abade Desiderius, um dos homens mais instruídos daquele tempo e que depois seria eleito Papa Vítor III. Em Monte Cassino, estimulado por Desiderius, ele se ocupou em escrever livros e lá, o grande médico, escritor e professor da era medieval faleceu. Suas traduções de obras em medicina gregas e de médicos árabes, e em outros campos, trouxe a farmacopéia árabe para a Europa e contribuíram para a ressurreição da ciência na Itália e colocarem a Escola de Palermo na dianteira dos conhecimentos no Ocidente. Apesar de não se poder esquecer que os aspectos decorrentes da filosofia grega e místicos decorrentes da sabedoria alexandrina, tanto como a magia, a numerologia e a astrologia caldaica, nunca saíram dos interesses dos alquimistas árabes, ao chegar à Europa paulatinamente a medicina muçulmana foi perdendo seu caráter mágico e transformando-se em medicina leiga. Também é útil lembrar que referências aos famosos elixires árabes começaram a aparecer na Espanha a partir do século XI, incluídas nos tratados alquímicos árabes, os quais foram traduzidos para o latim a partir do século XII.




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